quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Qual a reforma política que precisamos?

Nestes tempos de protestos, muitos vem propondo reforma política: acabar com a possibilidade de re-eleição, restrição aos novos partidos políticos, financiamento público de campanhas, proibição de doação de empresas para os partidos políticos, fim do voto obrigatório, etc.

Duvido muito que essas propostas resolvam nosso problema político no Brasil.

Vamos ver qual é o diagnóstico da situação que pode estar levando as pessoas a proporem as medidas acima: Acreditamos que o problema da composição política que vemos no executivo e no legislativo é um problema causado pelo financiamento de campanha (que permite as empresas comprarem mandatos/obriga os políticos a venderem seus mandatos), pois o eleitor se convence a partir do dinheiro que o político gasta na campanha, e que o que ganha voto é esse monte de bandeiras, comícios, carreatas, etc.?

Assim, acreditamos que o eleitor é um tolo que vota em qualquer um capaz de gravar seu nome na sua mente? E também acreditamos que, se houver menos dinheiro na campanha (ou menos dinheiro das empresas) o eleitor será menos tolo? É isso?

Acreditamos também que esse eleitor tolo vai votar duas vezes num político eleito para o cargo executivo, que não está indo bem, e que priorizou projetos eleitoreiros que não darão qualidade de vida a ninguém, mas que, apesar de não fazerem diferença, o eleitor vai gostar pois é um tolo que, além de votar em qualquer um capaz de gravar o nome em sua mente também vai votar em um político que investe em coisas que não são importantes e não fazem diferença na sua qualidade de vida, mesmo com a oposição alertando-o sobre isso e denunciando isso na campanha? Mesmo com horário político obrigatório, esse tolo não aprende? Não faz sentido.

Acreditamos mesmo que quem elege os políticos reacionários e corruptos da vida não sabe o que está fazendo, pois é um tolo que não sabe dizer se esses políticos o representam e, ao reduzirmos o recurso gasto na campanha, ou para um político, ou dizendo que esse recurso tem que ser público, ou que não poderá ser de uma empresa, esse tolo começará a decidir melhor? Achamos então que, ao voto ser facultativo e não haver mais horário obrigatório na TV, o eleitor vai se qualificar melhor para o voto? Ou seja, aquele tolo vai agora se qualificar melhor ou a esperança é que o tolo nem vá votar?

Não acredito que o eleitor seja tão tolo, e não acho que essas medidas serão capazes de produzir o efeito desejado. Para a qualidade dos representantes eleitos, tanto faz se o financiamento for exclusivamente público ou privado, com ou sem pessoas jurídicas doando recursos, se há ou não reeleição, se o voto é ou não obrigatório.

Para mim, esse diagnóstico está errado! Não é com essas propostas que a reforma política produzirá melhores políticos. Quem tem que fazer isso é a sociedade. Não são os recursos de campanha (públicos ou privados) que poderão pagar pela educação política que nosso povo precisa para deixar de ser tolo. Não é com o voto facultativo que o eleitor terá maior responsabilidade com o voto. Não é acabando com a possibilidade de reeleição que os governos cumprirão melhor suas promessas.

Mas há sim regras que precisam ser mudadas. São aquelas que, a partir do voto proporcional, permitem que políticos medíocres se elejam na sombra dos políticos mais efetivos, que permitem que um senador, por exemplo, procure se eleger em outro estado menos politizado e menos populoso, que permitem que celebridades e donos de meios de comunicação concorram a cargos eletivos, que permitem que um número enorme de cargos comissionados fiquem à disposição da política, que deixam os partidos dominados sempre pelos mesmos caciques e coronéis, etc. São essas regras que precisam ser mudadas pois, mesmo que o eleitor não seja um tolo, seu voto pode continuar elegendo políticos imbecis, safados e incompetentes.

domingo, 6 de outubro de 2013

Quanto nervosismo sobre a coligação da Rede com o PSB!

Quanto nervosismo sobre a coligação da Rede com o PSB! Quantas acusações vazias procurando desqualificar o gesto de Marina e da Rede!

Neste texto, aponto como essas acusações são frágeis, mesmo sendo em muitos aspectos um apoiador das políticas implementadas pelo PT nos últimos 10 anos. 

Primeiro, quando Marina liderou a criação de um partido, acusaram-na de achar que nenhum partido prestava para ela. Agora, que ela diz ter achado um que presta, pelo menos para "encubar" a Rede, criticam isso também.

Primeiro, debocharam do fato de a Rede querer ser um não-partido legalizando-se como partido. Agora que é um não-partido, por não conseguir legalizar-se, criticam isso também.

Acusam Marina de estar ligada ao grande capital só porque tem os donos da Natura e do Itaú na sua base de apoio. Mas e Dilma? E Aécio/Serra? Não têm empresários apoiando? Acusação ridícula de quem chama o Mensalão de caixa 2 e não aguenta ver dois empresários à luz do dia darem sua contribuição.

Queriam que Marina escolhesse uma legenda de aluguel, um partido pequeno (como o PV) ou sem programa (como o PEN), ou ainda um partido típico de oposição, como o PPS. Em vez disso, ela escolheu um partido sólido, com bons políticos, recém saído da base do governo - não porque brigou com o governo, mas porque queria um caminho próprio. Alguns têm a pachorra de acusar essa aliança de ser a mesma coisa que foi com o PV. Não é. É um xadrez sofisticado, de ambas as partes.

Antes, acusavam a Rede de ser dominada por evangélicos. Agora, com o PSB, não dá para fazer esse tipo de acusação.
Alguns acusam a Rede de se fazer de vítima ao lutar no STE para ter seu registro reconhecido. A Rede acha estranho que suas assinaturas tiveram o maior grau de rejeição de assinaturas justamente onde os outros partidos recém criados tiveram o maior grau de validação de assinaturas. Estranho mesmo, já que é o mesmo colégio eleitoral. Mas não deu para ficar se fazendo de vítima, pois o quadro novo mostra que a Rede é ameaça e não vítima.

Mas se tem jogo de vítima, não é só a Marina quem faz. Petistas vivem reclamando do PIG, da Globo, da Veja, do Supremo, do Joaquim Barbosa. Tadinhos, os perseguidos. Os descontentes com o governo, Tucanos e leitores de Veja não cansam de fazer acusações absurdas de que estamos numa ditadura, e dizem que o governo cala todo mundo.

Alguns esbravejavam que a Rede não tinha conseguido o registro por incompetência, e deleitavam-se que Marina ficaria fora das eleições. Agora, morrem de medo de Marina, que não só tem partido, mas tem o PSB, com toda sua estrutura, tempo de TV e militância.  

Acusam Marina de ser de direita, mas com o PSB não vai dar para dizer que sua candidatura é da direita, especialmente quando partidos da base do governo Dilma, como o PR, recebem políticos como o ex-governador do DF, José Roberto Arruda.

Acusam Marina de não ter ideias, de estar baseada em frases feitas. Talvez, mas as frases de Marina são outras. Marina é intelectual refinada, que bebe em fontes diferentes das que estamos acostumados num político. Mas frases feitas não eram comuns no PT? "Fora FMI, fora FHC, reforma agrária já, calote da dívida externa". Muitas propostas nunca viraram ação. E o PSDB? A começar com FHC pedindo para esquecerem o que escreveu até os discursos vazios de hoje, em que pleiteiam serem melhores administradores que os petistas.   

No lançamento da Rede, Marina deu umas pisadas na bola, é verdade. Para que fazer referência ao Chavismo, algo com tantos críticos apaixonados quanto defensores intensos? Não precisava...

É sempre mais difícil querer ser coerente. Quando se defende um ideal e só se cumpre 85%, vem os que não cumprem nem 30% acusar de incoerência sem olhar seu próprio rabo. 

No geral, os parceiros PSB e Rede marcaram vários gols, deixando a torcida adversária nervosinha.