quarta-feira, 7 de maio de 2014

Há 12 anos, a inflação era o dobro, e o desemprego era quatro vezes maior


Para quem acha que o Brasil só está piorando, melhor tomar um remedinho para memória...
2002 era ano eleitoral, a inflação terminou o ano em 12% e o desemprego variava entre 18 e 20%.
2014, também ano eleitoral, a inflação está perto de 6% e o desemprego em 5%

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ano de eleição, o papo deve ser outro


menos reivindicações e críticas,
mais discussão de propostas e soluções,
menos ataques generalizados,
mais esforço para identificar quem merece nossa confiança,
menos manifestações e quebra-quebras,
mais campanhas por aquilo que queremos e por quem nos representa,
menos sentimento de vítima da política,
mais corresponsabilidade pela política,
menos achar que a política é uma porcaria,
mais participar da política e torná-la melhor.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A crescente polarização da sociedade brasileira

Defendo muitos resultados do governo do PT nas áreas econômica e social (não se limitando ao bolsa família) e até, em certa medida, meio ambiente. Mas critico a dinâmica de alianças políticas, a forma de construir a coalizão, a aproximação com os ruralistas, a atitude negativa em relação às questões indígenas e das populações tradicionais, e a parada na criação de unidades de conservação no governo Dilma. Para mim, o desequilíbrio reflete uma escalada de conflitos de visões, que atinge de forma perigosa a credibilidade da imprensa e da Justiça. Reflete também a falência da oposição, que não conseguindo emplacar um discurso de ética, de eficiência ou de caminho político, se encolhe, deixando à mídia e às redes sociais um papel que deveria ser seu. Quando o PT era oposição, a ética viva. Com o governo, o pragmatismo impera.    

terça-feira, 4 de março de 2014

A legitimização do ódio social da classe média

A jornalista Raquel Sherazade ficou conhecida por seus comentários raivosos no SBT, que justificavam justiceiros que espancaram, torturaram, despiram e amarram a um poste um adolescente infrator e tratavam com brandura o cantor Justin Bieber. Foi muito criticada pela esquerda ao dizer que a ação dos justiceiros era justificada pela incompetência do Estado. Agora, a liberal Eliane Brum escreveu um belo artigo descrevendo os vários casos de violência gratuita, a partir do episódio do homem esquizofrênico que empurrou uma mulher dentro dos trilhos do metrô. Ligou os vários casos e construiu um argumento de que a raiva que esses casos expressam tem a ver com a situação do país, com a falta de resposta do governo, com as reivindicações não atendidas nas manifestações de junho de 2013. Para mim, um argumento que pode se aproximar, na função (mesmo que não tenha sido a intenção), ao de Sherazade. 

Ora, a revolta da classe média e seus atos gratuitos não pode ser justificada pela ação ou inação do governo. Temos 500 anos de história. Índios massacrados. Negros escravizados. Milhões de favelados. Se a injustiça e a falta de ação do estado são justificativa para ações de ódio, então cuidado com o ódio de índios, negros e pobres. Este ódio ainda não começou a se expressar. 

Imagine você, seu classe média, classe média alta, se o pobre que está no ponto lotado olha para o seu carro e realiza que você é a causa de ele ser pobre, uma situação que ele não causou. Sim, você, eu, os privilegiados que sempre se beneficiaram da distribuição desigual, cujos pais compactuaram com o golpe militar de 1964. Imagine se em vez de ônibus, carros de luxo passassem a ser o alvo. Imagine se as escolas e hospitais particulares passassem a ser atacados para mostrar que à elite e à classe média que seus filhos não podem começar a vida com vantagem sobre outras crianças que merecem tanto ou mais que eles.    

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PIBinho ou PIBão?

Quem ouve ou lê os noticiários fica com a impressão de que os outros países estão crescendo muito mais que o Brasil. Será fato? Temos um PIBinho? Aproveitamos menos a onda de crescimento mundial que os outros países? 

Veja neste gráfico, com dados do Banco Mundial, uma comparação do PIB do Brasil com outros países emergentes no mundo e alguns já considerados desenvolvidos (África do Sul, Chile, México, Índia, Rússia e Espanha):

PIB 2004-2012 de Brasil e países selecionados (clique para aumentar)
Em 2004, o PIB do Brasil era um pouco menor que o do México e da Índia, e um pouco maior que o da Rússia. O PIB da Espanha era bem mais alto. O PIB do Brasil já era gigante perto dos PIBs da África do Sul e do Chile.

Mas o que aconteceu desde então? O PIB do Brasil quadruplicou. A Espanha estagnou, e de um PIB que era quase o dobro do brasileiro, no final de 2012 tinha um PIB que era a metade do PIB do Brasil. A Rússia parecia boa competição até 2008, ano da grande crise financeira internacional, que derrubou seu PIB, que passou a crescer no mesmo ritmo do Brasil, sendo 80% deste. O México quase não cresceu, ficando com um PIB cerca de 40% do PIB do Brasil. A Índia, que tinha um PIB semelhante ao do Brasil, no final de 2012 era 80% do PIB brasileiro.

Chile teve um bom crescimento relativo, mas a diferença de tamanho das economias brasileira e chilena torna a comparação difícil. A África do Sul, um pouco maior, duplicou sua economia, mas não chegou a quadruplicar, como o Brasil.

Repare também o tombo dos outros países em 2008, em que o Brasil foi pouco afetado, e que em 2012, quando o PIB do Brasil sofreu um baque, os demais países (exceto a Índia) também sofreram.

Vê-se que o Brasil não foi mal como alardeia a mídia e a oposição, e reclamam alguns empresários. E em 2013 não foi diferente. O IBGE divulgou uma análise em que compara o Brasil com 13 economias que já divulgaram seus PIBs de 2013. Veja como se compara o crescimento do Brasil no ano passado:

PIB 2013: Brasil x países selecionados (clique para aumentar)

Vê-se que, entre essas economias, o Brasil teve o terceiro melhor crescimento, somente atrás da China e da Coreia do Sul. Abaixo da média mundial já que a China distorce a média, mas certamente bem acima da média sem a China. 

Então: PIBinho ou PIBão? Para mim, parece um PIBão. 

E não é somente um PIBão: é um PIBão com diminuição da miséria. Estudo do IPEA mostra que em 2011 o BRasil alcançou a menor desigualdade já medida. Segundo matéria do Jornal Valor Econômico, com base no estudo do IPEA, os salários dos 10% mais pobres do Brasil cresceu mais de 91% entre 2001 e 2011, enquanto os 10% mais ricos cresceram só 16,6%. 

É isso que explica o ódio da classe média e da elite pelo PT: egoísmo. Egoísmo, pois a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o rendimento dos mais ricos. 

É um revolução pacífica, que não precisou mandar a elite para o paredão ou para Miami, nem precisou suprimir a democracia. Mas, mesmo assim, a elite se ressente do avanço dos mais pobres e do seu pouco avanço, insuflada por publicações como a Veja e pelos noticiários como o Jornal da Globo na TV, ou o canal GloboNews, que insistem em pintar o país muito pior do que ele está. 

Eu também estou chateado, pois minha renda não aumentou 91% no período. Mas seria muito egoísmo achar que o que o que está sendo feito pelos mais pobres está errado. E seria burrice achar que está errado e ainda reclamar do aumento da criminalidade, como muita gente faz. 

Temos que valorizar o que já alcançamos. É muito significativo! Talvez dê para fazer mais, ou fazer diferente (como nós ambientalistas defendemos), mas é preciso reconhecer o sucesso do Brasil e não embarcar na campanha de auto-difamação promovida por uma boa parte mentirosa de nossa imprensa. É só ver os dados acima e pensar um pouco por conta própria. 

Viva o Brasil!  

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rolezinhos: Shopping não é ambiente para famílias. Nunca foi.

Coxinhas, elites, pessoas conservadoras condenam o rolezinho. Esquerdistas, contestadores, intelectuais quase de esquerda os defendem. É o morro vindo ocupar os espaços que sempre foram da elite e da classe média. Espaços que foram construídos com base no desejo da classe média e das elites de se separar do morro. Por causa desse desejo, os comércios de rua perderam seu charme. Mas agora isso terminou.

A questão, porém, não é se os shoppings deveriam ou não ser invadidos ou ocupados pela turminha dos manos e das minas, ou se poderão ou não deixar de ser ambientes para a família classe média.

A questão não é se os manos podem fazer mal aos shoppings: é se os shoppings podem fazer mal aos manos. 


Uma reportagem no G1 (os rolezinhos nas palavras de quem vai) mostra os perigos que envolvem um rolezinho para os manos e minas: consumo de drogas (eles vão lá para comer fastfood!), endividamento (um jovem gastou R$ 1.000,00 em um par de tênis que comprou à prestação), entre outros.

Eu mesmo nunca achei shopping um bom ambiente para famílias. Primeiro, porque atiçam o consumismo. Segundo, porque lá não se vê o céu e se passa tempo demais sem ver o céu. Terceiro, porque lá tudo (incluindo os frequentadores) finge ser o que não é. Quarto, porque são um perigo para o bolso. Tudo isso faz mal às famílias. Por isso, não gosto muito de levar minha família lá. 

E olha que dizem que o shopping é a praia do brasiliense! (e eu vivo em Brasília). Mas é tudo exagero: aqui, a praia também inclui os parques, o lago, as calçadas arborizadas do Plano Piloto, os eventos ao ar livre, o Centro Cultural Banco do Brasil e as cachoeiras das vizinhanças próximas ou um pouco mais distantes. Esses ambientes, sim, são para famílias e também seriam sem risco para os manos e minas.

Shopping, não. Vá com cuidado. Podem fazer mal para a sua cabeça e para o seu bolso.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rolezinhos!

O mais difícil de entender no rolezinho? Essa turma toda se juntar querendo ir num shopping! Num shopping!

O paradoxo? Quem é de esquerda defende o direito da galera de ir ao shopping e de ser consumista, e quem é de direita os condena.

Vão dizer que estou simplificando. Desculpe, estou mesmo, para mostrar o absurdo da situação gerada por falta de opções de lazer nas cidades brasileiras.

Nas palavras dos jovens que participam dos rolezinhos, faltam opções de lazer.

A solução? Criar e implementar parques e outras áreas verdes de qualidade, para que os rolezinhos sejam junto à natureza e não junto aos templos do consumo e do capitalismo. Criar e implementar centros de cultura e esportes.

País rico é país sem miséria cultural.