quarta-feira, 16 de setembro de 2015

6 Razões por que sou a favor da CPMF agora

Na conjuntura atual, sou a favor da recriação da CPMF com 0,38% e de outros impostos, como impostos sobre heranças e impostos mais altos para quem tem renda muito alta, incluindo a renda de lucros e dividendos muito altos.

Sou a favor da CPMF e aumento dos impostos dos mais ricos porque:

  1. Sou contra os cortes nos benefícios sociais, no Minha Casa Minha Vida, nos investimentos de infraestrutura, nas reposições de salários do executivo (o que inclui professores, por exemplo). Esses cortes são mais prejudiciais à economia que o aumento dos impostos.
  2. Vai ajudar o Brasil a voltar a crescer e é o crescimento que vai resolver a crise fiscal, não são cortes em viagens e diárias, por exemplo. 
  3. Sou a favor de reformas estruturais, e não de cortes no orçamento, e a CPMF é uma medida de urgência. Quero reformas que simplifiquem o sistema tributário, que implementem a justiça tributária, taxando mais os mais ricos, e que eliminem benefícios indevidos a alguns privilegiados como as filhas "solteiras" de militares, por exemplo.
  4. Isso não me torna menos contra as mordomias de parlamentares e juízes, como auxílios-moradia, excessivo número de cargos de confiança do legislativo e judiciário. Não sei se fará diferença, mas exemplo é bom.
  5. Grande parte da despesa pública são juros e este é o gasto principal que precisa ser cortado. Neste ano, o governo já gastou R$ 383 bilhões em pagamento de juros (veja https://www.jurometro.com.br/). Fazendo uma conta simplista, se o governo Dilma aumento os juros em 50% nos últimos meses, então seria equivalente a mais de 120 bilhões, diminuir um pouco os juros daria a meta de economia do governo, aumentaria o consumo, etc. Os juros são altos porque é preciso controlar a inflação criada pelo reajuste dos preços administrados (erroneamente represados por Dilma/Mantega). Corrigir os preços administrados resolve em parte o problema da Petrobras e de concessionárias de energia, mas o impacto na economia tem sido nefasto. O déficit fiscal atual vem daí: do reajuste e da espiral de aumento de juros para controlar a inflação derivada.
  6. Corrigir o déficit por aumento de imposto (CPMF) dá oportunidade para que pelo menos o governo continue fazendo a sua parte na movimentação da economia. É melhor que parar tudo, estagnar a economia e subir juros, que já poderiam começar a baixar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Atualizado pela inflação desde 2003, o salário mínimo deveria ser de R$ 483,00

Atualizado pela inflação desde 2003, o salário mínimo deveria ser de R$ 483,00. A valorização do salário mínimo levou-o a R$ 788,00, reduzindo a pobreza e favorecendo a economia das regiões mais pobres.

Confira os 31 senadores sob investigação do STF

O site Congresso em Foco levantou os senadores integrantes do Senado que respondem a inquérito e ação penal no STF. Clique no nome para ver quais são as acusações e as respectivas explicações dos parlamentares:

Acir Gurgacz (PDT-RO)
Ângela Portela (PT-RR)
Antônio Anastasia (PSDB-MG)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Dário Berger (PMDB-SC)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSC-SE)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Fernando Collor (PTB-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Gladson Cameli (PP-AP)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
José Agripino (DEM-RN)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Telmário Mota (PDT-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Wellington Fagundes (PR-MT)

Veja no site Congresso em Foco

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O desemprego subiu em julho, mas e o número de pessoas ocupadas? caiu?

Analisar os dados de desemprego nem sempre é tão direto. Saíram dados hoje mostrando o aumento do desemprego em relação a julho de 2014. Veja:

Desemprego em Julho (Fonte: IBGE)
Mas é interessante que, embora o desemprego tenha aumentado bastante (o mais alto desde 2009), o número de pessoas desocupadas variou levemente para baixo (ficando no mesmo nível de 2012):

Pessoas ocupadas em julho (Fonte: IBGE)
 No último ano, o desemprego cresceu desde dezembro de 2014:


Desemprego mensal (Fonte: IBGE)
Note como ele vinha estável, desde 2013.

Agora, o número de pessoas ocupadas caiu em dezembro, de uma vez, até fevereiro, e desde então está mais ou menos estável. Isso é intrigante...

População ocupada mensal (Fonte: IBGE)
O desemprego é o número de pessoas que procuram emprego e não acham. Para estar crescendo desde fevereiro quando a população ocupada não diminuiu, então ele cresce porque há cada vez mais pessoas procurando emprego (pessoas que não estavam ocupadas antes).

Os primeiros a procurar emprego foram os adolescentes, que começaram a procurar em janeiro e fevereiro. Em seguida, os jovens até 24 anos. Gradualmente, entraram os adultos com mais de 24 até 50 anos. O pessoal com mais de 50 está entrando na busca agora, nos últimos dois meses.

Por que isso ocorreu? Os adolescentes perderam seus empregos em novembro e dezembro. Os jovens (até 24), vem gradualmente perdendo seus empregos desde janeiro. Os adultos perderam seus empregos de forma mais acentuada no início do ano. Os maduros (+50), surpreendentemente, vêm conseguindo mais ocupações desde março, de forma acentuada:

População ocupada com mais de 50 anos (Fonte: IBGE)
Isso é interessante! Veja que os mais velhos ocupados estão aumentando seus números há 24. Neste ano, mesmo com crise, um número crescente de pessoas mais velhas está conseguindo uma ocupação.

Veja também que, #apesardacrise, os rendimentos dos trabalhadores no mês de junho vêm crescendo desde 2002:

Rendimento médio nominal do trabalho principal, efetivamente recebido no mês de referência, pelas pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência (Reais)
Os dados aparentemente mostram que o desemprego reflete as demissões dos mais jovens e um aumento da busca por emprego por quem antes não o buscava. Isso pode ter ocorrido devido à inflação deste ano, mais elevada, criando a necessidade de mais pessoas nas famílias buscarem trabalho. Um resultado direto do ajuste fiscal. Além disso, os negócios podem ter começado a se ajustar ao ajuste das tarifas, demitindo, primeiro, os mais novos.

 


domingo, 16 de agosto de 2015

Você acha que a corrupção nunca foi tão grande? Na verdade, nunca foi tão combatida....

As manifestações nas ruas mostram uma enorme massa de descontentes com os corruptos. Corruptos são acusados de forma genérica e específica (no caso de alguns políticos) e parece que ninguém está fazendo nada para controlar o problema. Mas isso pode ser uma impressão, criada justamente pelos esforços de controle da corrupção.

É o que se pode ver pelos dados abaixo. Eles mostram que, nos dois governos de ex-presidente Lula e no governo Dilma, graças à sua ênfase em restaurar o Estado e suas instituições, foram realizadas mais de 2500 operações da Polícia Federal, com mais de 25.000 presos! 


2.500 operações
em 12 anos, são mais de

200 operações/ano
enquanto FHC fez menos de 4 operações por ano

2.000 pessoas/ano
foi quanto a PF prendeu durante o governo do PT


Nos oito anos do governo FHC, foram realizadas somente 28 operações... Quem é que combate a corrupção? 



Veja a evolução do número de presos:


Agora veja uma coisa animadora: o número de presos por operação vem caindo.
Imagine que você é um pescador e que o número de peixes por pescaria vem caindo, apesar de você estar ficando mais experiente e estar usando melhor tecnologia de pesca e de estar fazendo mais pescarias. O que você diria? Diria que a quantidade de peixes está caindo, não? Não seria a mesma coisa com os corruptos?  


Sim, estamos cansados da corrupção! Mas devemos reconhecer a ênfase de nossas instituições em combatê-la. Isso pode ser melhorado, mas tem um trabalho em andamento.

Nossa percepção de que há mais corrupção agora que antes é resultado de um número maior de investigações pela PF.

Então, temos que continuar fortalecendo a PF. Cobrar mais acelera esse combate!




sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Brasil tem ministérios demais?

Ouvimos e lemos todos os dias na mídia e nas redes sociais: "o Brasil tem 39 ministérios! O Brasil precisa cortar ministérios!"

É verdade?

São muitos ministérios sim, mas não são 39. São 24 ministérios, 9 secretarias com status de ministério (que servem para dar status/poder a questões importantes como igualdade racial e políticas para as mulheres), e 5 órgãos com status de ministério (Banco Central, CGU, AGU, Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional).

Veja a lista de ministérios neste link.

O que você cortaria? Como faria isso. Alguns casos são simples: A Secretaria de Portos poderia estar dentro do Ministério dos Transportes. Pesca e Aquicultura poderiam estar no Ministério da Agricultura. Mas daria para juntar Desenvolvimento Agrário com Agricultura? Hum... difícil. O MDA tem como público principal os pequenos produtores e assentados da reforma agrária. o MAPA é mais voltado para o agronegócio...

E isso faria diferença mesmo? Veja o Debate entre o Ciro Gomes e o Rodrigo Constantino: