quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Nosso direito ao mimimi político

Por que Kassab tem legitimidade? 
Esse texto da Carta Capital (link) explica os ministros. Ou, pelo menos, um: Kassab. Diz que os votos que os brasileiros deram ao PSD empoderam Kassab. Que a culpa é nossa por termos elegido esse Congresso e que nossa revolta com esse grupo esdrúxulo que Dilma convoca para posições igualmente inadequadas não passa de mimimi despolitizado.

Desculpe, mas não é não. Ou, se for, a culpa é nossa, sim, como nos criticam os críticos do voto crítico, por ter eleito Dilma. 


Mais à esquerda, por favor!

É muito provável que o PT não eleja presidente em 2018. Como diria um engenheiro, fadiga de material. Poderia aproveitar então para tentar fazer um governo mais à esquerda. Se sofrer impeachment por isso, ótimo, pois dará motivo para tentar de novo em 2018. O pior será chegar desgastado e descaracteriza lá. Mas, se der certo, melhor ainda!

domingo, 14 de setembro de 2014

A ilusão do presidencialismo de coalizão

Vamos dizer que você votou em Lula e Dilma, como eu, que gosta de muitos dos resultados nas políticas econômica e social, mas detesta as alianças políticas. Vamos dizer que você engole. Você foi convencido que era necessário. Que era o único jeito de garantir a governabilidade. Mas um dia, você escuta Marina Silva, não o que ela diz, mas o que está por trás do que ela diz, e percebe que o presidencialismo de coalizão (esse modelo praticado por Lula e Dilma) não existe, é inútil, é uma enganação da qual Lula, Dilma, o PT, o povo brasileiro e você e eu fomos vítimas. Como você reagiria?

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marina Silva mudou de lado? Ou foi o PT?

A campanha de Dilma trata Marina como uma traidora. Traidora de quem? Só pode ser do PT. Mas muitos ex-petistas têm ódio do PT e acusam os petistas que lá ficaram de serem traidores. Traidores de quem? Do povo, dos sues ideais, de suas utopias e sonhos. É a briga dos pragmáticos de Lula e Dilma com os sonháticos de Marina.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desmatamento na Amazônia Legal: PT x PSDB, Marina x Minc x Izabella

Veja as diferenças entre o desmatamento na Amazônia Legal desde 1988, com o descontrole no final do governo Itamar, com a queda no início do governo FHC, para voltar ao descontrole anterior no final do governo, com a queda vertiginosa no governo do PT, iniciando pela gestão da Marina Silva (a maior parte da queda) com um repico no final que foi o estopim de sua decisão de abandonar o ministério, e a continuidade dos esforços na gestão de Carlos Minc e Izabella, com um repique no final. Pode-se ver bem a contribuição de cada um. Julgue você mesmo. 




terça-feira, 9 de setembro de 2014

Índice de incoerência política

Vou criar um índice de incoerência política, para avaliar os candidatos e seus apoiadores nas redes sociais:

  • Muito incoerente: Dilma, PT e simpatizantes
  • Um pouco incoerente: Marina Silva, a Rede, e simpatizantes
  • Coerente: Aécio Neves, o PSDB e simpatizantes


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Morreu Eduardo Campos em acidente aéreo

Muito triste! Estou em estado de choque. Perde o Brasil. Morreu Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Lula xingou o presidente Itamar Franco?

Suposta nota da presidência da República em que Itamar
estaria respondendo a xingamento de Lula. A nota é duvidosa,
pois teria sido liberada em 2012 (porque tão tarde?) e não se
encontra na net a notícia original. Mas o episódio do
xingamento existiu, e foi discutido na dissertação de
Soraia T. Marcos, onde se vê bem a manipulação contra Lula. 
Está circulando na Internet uma suposta nota da presidência da República da época do Itamar em que ele teria respondido a ofensas proferidas pelo Lula. É difícil resgatar notícia antiga. Difícil, mas não impossível. A dissertação de Soraia T. Marcos sobre como a imprensa criou o ator político Lula, primeiro elogiando o sindicalista e depois tentando destruir o político, diz o seguinte:

O episódio em que Lula foi acusado de ofender o então presidente Itamar Franco, em maio de 1993, o candidato do PT, visitava uma favela em Teófilo Otoni – MG, e estava impressionado com a pobreza do lugar, quando outro jornalista da Folha de S. Paulo, Fernando Molica, perguntou a Lula se já estava sabendo de denúncias que circulavam na mídia envolvendo o então ministro da fazenda, Eliseu Resende. 
Conforme afirma Kotscho, apud Bucci (1993) Lula não sabia de nada – não tinha acesso às informações, não dava tempo de ver televisão. Havia só o relatório que os assessores de São Paulo, Clara Ant e Edson Campos enviavam diariamente para as Caravanas e que às vezes chegava com atraso. Quando foi explicado o ocorrido, Lula em conversa informalmente com assessores e jornalistas disse: “Vocês estão vendo isso aqui, o filho da puta do Itamar Franco tinha tudo na mão para fazer um bom governo e mudar essa situação, aí colocou o Eliseu Resende no governo”. O jornalista da Folha imediatamente ligou para a direção do jornal e relatou o que ocorreu. Virou manchete da Folha de S. Paulo em 08/05/93: “Lula xinga presidente e Eliseu em MG”.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Histórico do financiamento habitacional no Brasil: a diferença no governo Lula

Veja a evolução do financiamento habitacional no Brasil (em unidades habitacionais) no gráfico e leia mais sobre isso no post original no Blog Cidadania e Cultura. Veja que o financiamento evoluía de forma forte no regime militar, até 1982, e teve um longo período em que não se investiu nisso, que durou até o primeiro mandato do presidente Lula. Foi no final do primeiro mandato e no segundo mandato (quando Dilma passou a ocupar a Casa Civil) que o financiamento da habitação decolou. No governo Dilma, diminuiu nos primeiros anos e cresceu novamente no ano de 2013.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A política de participação social NÃO É um golpe na democracia

Muito alarde tem sido feito sobre o Decreto 8243, que estabelece a política de participação social. Vamos entender isso? 

Os conselhos começaram a ser implementados no final dos anos anos 1980. Por exemplo, eram comuns os conselhos de meio ambiente (nacional e estaduais) com representantes da sociedade civil. 

Nos anos 1990, com a política neoliberal, e seguindo tendência promovida pelo Banco Mundial, o governo brasileiro multiplicou-os. Acreditava-se que os conselhos seriam mais transparentes, flexíveis e legítimos que as instituições já presentes, como o poder legislativo. Além disso, poderiam ter representação específica dos setores interessados em uma área das políticas públicas, dando contribuição mais qualificada. A ideia não era substituir o legislativo, mas complementá-lo.  

Hoje, quase todas as áreas têm conselhos, em todas as esferas de governo, do município à união, todos eles envolvendo sociedade civil, que vai de entidades de classe a sindicatos. Alguns exemplos de conselhos federais criados ainda no governo FHC (para ninguém dizer que é coisa de petista):

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Todo protesto agora tem que ser sobre a Copa?

Esse negócio de misturar todos os temas nas manifestações parece ser bom só para quem quer atingir eleitoralmente o governo do PT. Hoje os indígenas pareceram, na mídia, estar manifestando contra a Copa. Onde ficou a agenda das demarcações? da violência contra os índios? Sumiu. A mídia sequestrou o movimento, que deixou de ser pró-índio para ser anti-Copa (anti-PT). Como Aécio é o principal candidato anti-PT, ficou como beneficiário principal. Se tivessem ficado na frente do Congresso e do Palácio do Planalto, sua pauta ficaria bem marcada. Resolveram subir pro estádio, misturou tudo, a polícia tentou impedir com violência, rolou flechada em policial, sumiço da pauta, perda legitimidade perante o público leigo. Provavelmente não era a intenção do movimento indígena...

No ano passado, os índios invadiram a Câmara sem quebrar nada, sem deixar-se confundir com "baderneiros", e colocaram sua pauta efetivamente.

Acho que as manifestações seriam mais eficazes, quando os movimentos têm poder de mobilização e pautas bem definidas (como o indígena), se fossem mais específicas e não se deixassem misturar com manifestantes que têm agendas puramente eleitorais.

O efeito das manifestações anti-Copa

Hum, deixe-me ver, o cara comprou o ingresso para si e para a família, mas vê estas cenas (ver link), que mostram, no recorte, um Brasil que parece retratado pela série dos Simpsons, cheio de estereótipos, com indígenas e flechadas na rua, policiais truculentos, etc. Aí a família dele diz para eles não viajarem. A filhinha diz: papai, estou com medo. Ele não viaja, cancela a reserva no hotel, não gasta no taxi no Brasil, não come nos restaurantes, não visita museus e parques, não compra nas lojas. Seu dinheiro fica lá, no seu país. Mas não é só isso, como ele não conheceu o país, não recomenda, não tem vontade de visitar no futuro, e as despesas que ele deveria ter aqui, ele não faz.
Mas uma outra família vem. Uns reclamam das obras inacabadas da Copa, mas a maioria dos aeroportos estão prontos. A família chega aqui, na terra do futebol, e não vê entusiasmo nenhum. Ela segue pelas ruas, e parece que estamos num país que não liga para a Copa, parece os EUA. Ligam a TV no hotel e vêem as manifestações. Eles não saem, comem no quarto, gasta seu dinheiro ali mesmo. Nada de museus, parques ou compras. Não conhece o Brasil. Então, indo ao jogo com sua família, ele enfrenta com sua família as obras que não acabaram para usar o transporte público. Tudo bem. Torcedor supera. Mas aí, chegam no estádio, uma manifestação ocorre ali perto, uma guerra se levanta. Seu filho chora assustado. Gás lacrimogênio irritam seus olhos. Muito medo de tudo. Assistem o jogo. Na saída, a confusão continua. Voltam para o hotel. Resolvem nunca mais voltar ao Brasil. Recomendam contra o Brasil para seus amigos, e em vez de se ganhar visitas futuras, se perderá.
Assim como estes turistas, serão milhares. Milhões de dólares deixarão de ser arrecadados por causa do medo das manifestações. Os impostos deixarão de ser arrecadados pelos estados, que vão retirar dinheiro de outras áreas para quitar os empréstimos com o BNDES. Os negociantes que não faturarem demitirão e deixarão de pagar seus credores em dia. O que não acumularem neste período, não será utilizado para movimentar a economia. O que parecia um bom negócio (a Copa) deixa de ser.
E é isso que os manifestantes e os anti-Copa chamam de patriotismo...
E os índios... por que eles protestavam mesmo? Contra a Copa? Ah, não, era sobre demarcação de terras e violência contra indígenas. Mas quem se importa? O importante é que ‪#‎nãovaiterCopa‬

terça-feira, 27 de maio de 2014

Por que não vemos retorno nos impostos?

"A carga tributária do Brasil é de primeiro mundo com serviços de terceiro mundo". É isso que ouvimos direto de quem é mais ou menos equilibrado em relação a essa questão. Os mais neoliberais simplesmente dizem que tem imposto demais. Mas boa parte das pessoas ficaria feliz se tivesse serviços públicos melhores. Afinal, pagamos tão caro para isso!

Quando pensamos que pagamos caro, pensamos logo no governo federal, na Dilma, no Lula, no FHC. Veja no gráfico a seguir como isso evoluiu de 1990 a 2009:


Vemos que a carga tributária vem crescendo desde os anos 1990, e associamos isso ao desperdício, à corrupção, ao inchaço da máquina do governo. Mas talvez não seja só isso: desde a constituição de 1988, uma série de novos direitos foram reconhecidos e vários serviços foram universalizados. Por exemplo, trabalhadores rurais foram incorporados à Previdência Social, aposentando-se mesmo sem ter contribuído para a previdência. Os brasileiros passaram a ser atendidos pelo SUS, de forma universal, mesmo aqueles que não contribuíram para a previdência (isso passou a ser garantido somente em 1988). A educação foi estendida a praticamente toda a população em idade escolar, quando antes não era universalizada. 

"Mas esses serviços são uma porcaria!" vão dizer. Não justificam a carga de impostos. É verdade, os serviços não são bons ainda. Mas é neles que se gastam nossos impostos? 

Um infográfico produzido pela Folha revela onde são gastos os nossos impostos. Na esfera federal, de R$ 1,3 trilhão gastos pelo governo, somente 4,3% vão para a educação e 6,8% vão para a saúde. Todos os demais ministérios juntos chegam a 20%. Todos os programas sociais juntos chegam a 4,8%. Mais de 35% vão para a previdência (de forma desproporcional para ex-funcionários públicos e contemplando a previdência rural) e são resultado de decisões passadas e direitos adquiridos. Se aposentados já reclamam hoje, imagine se mexessem mais ainda neste vespeiro? (mas parece inevitável). Outra parcela significativa, quase tão grande quanto saúde, educação e assistência social (incluindo bolsa família) juntos, é a dívida pública: 13%. Outros 16% são repassados obrigatoriamente aos estados e municípios. 

Dê uma olhada no infográfico (clique aqui) para ver que é nos estados e municípios que está a maior parte dos impostos que deveriam dar qualidade à saúde, educação e transporte. 

Aí é que está o nó. Se depender do governo federal (seja ele de quem for), nunca teremos serviços proporcionais ao que pagamos de impostos, pois boa parte dos nossos impostos sustentam direitos adquiridos por aposentados, pensionistas e credores. Podemos certamente melhorar a qualidade, mas sempre haverá uma lacuna, proporcional à dívida que temos com os compromissos assumidos, com nosso aval, na constituição e nos governos desde então. 

Já os governos estaduais e municipais têm mais chance de fazer a mudança, pois estão menos amarrados e têm mais domínio (proporcionalmente) sobre seu orçamento.      

Estamos no Brasil e não vai nevar no Natal

É preciso saber reconhecer os avanços que o país tem feito, especialmente na redução da miséria e da pobreza e na promoção da igualdade. Sabemos que tem havido falhas, que casos de corrupção foram detectados, e dinheiro foi desperdiçado. Mas tudo isso é muito pequeno perto do grande avanço que foi feito. Não dava para esperar que seria tudo pontual, perfeito, limpinho. Como disse o min. Luís Roberto Barroso, do STF, em ótima entrevista na Globo News, estamos no Brasil e não vai nevar no Natal, claramente uma referência àqueles que gostam de comparar Brasil com Europa ou EUA, sem considerar a enorme disparidade histórica que lutamos para vencer. Vamos em frente! 
PS: Vale a pena assistir a entrevista, em que o Juiz declara que "A justiça é dura com pobres e mansa com ricos" e defende a descriminalização da maconha. 


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quem precisa de alto salário para não ser corrompido já é corrupto


País rico é país sem pobreza...

Estava pensando no ótimo slogan do governo Dilma: País rico é país sem pobreza. Refletia uma impressão, no início do governo, de que o Brasil não era mais um país pobre. Mas a sexta economia do mundo era um país rico? Refletindo a característica mais técnica da presidente, o governo assumiu esse slogan, bem diferente do anterior ("País de todos").

O slogan técnico, porém, está incompleto.

É preciso qualificá-lo. Que tal assim?

 Ou assim?

Ou assim?
Ou ainda, assim?


Um foco de políticas públicas exclusivo em resultado econômico, seja ele no PIB ou na distribuição de riquezas, é incompleto e leva a distorções e pode ameaçar até mesmo esses resultados econômicos no futuro.

Se o governo qualificasse essa "pobreza" que pretende acabar, teria foco e resultado mais equilibrados e sustentáveis.  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Como deixar a TV revolta falando sozinha

Tem muita gente incomodada com a TV Revolta, uma página do Facebook que dissemina algumas mensagens neutras juntamente com mensagens ultra-conservadoras e mensagens contra o governo.

Se os posts de seus amigos contendo as imagens da TV Revolta incomodam, a solução é simples: clique no canto direito do post, selecione "Ocultar tudo de TV Revolta". Pronto!

Se quiser, pode também dizer ao Facebook porque você fez isso.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Por que não Copa do Mundo?

Eu não gosto de Copa do Mundo. Sempre que tem, não assisto. Acho ridículo esse negócio de achar que patriotismo tem a ver com futebol ou fórmula 1. Por isso, não cabe na minha cabeça o culto ao Sena, a adoração aos jogadores de futebol, o tempo dedicado ao esporte nos telejornais, etc.

Acho um mistério antropológico alguém torcer por um time qualquer. Pela seleção, entendo um pouco, mas tenho um problema. Eu gosto de torcer pelo mais fraco, pelo mais humilde. Por exemplo, na fórmula 1, em vez do Sena, eu gostava de torcer pelo Rubinho. Como o Brasil é sempre considerado forte e como seus torcedores estão sempre insatisfeitos com segundos lugares, não dá para simpatizar com essa turma. Torço pelo Brasil nas coisas em que ele é ruim. Ciência, por exemplo. Quando tem um cientista brasileiro de destaque, fico cheio de orgulho.

Para mim, esse negócio de Copa sempre foi uma estratégia da imprensa e dos governos de direita para nos dominar. Pão e circo. E os palhaços éramos nós.

Mas então veio o Lula, que propôs e conseguiu trazer para o Brasil a Copa do Mundo. Então era um governo de esquerda trazendo a Copa. Eu não gostei. Mas todo mundo gostou. Foi algo festejado, prestigiado por governadores de todos os partidos. O evento traria negócios, provocaria crescimento, nova infraestrutura seria construída.

Eu não gostei mesmo assim. Alguém teria que me mostrar os números, por favor. Achei ridículo construir uma infraestrutura para um evento esportivo. Ao contrário de muita gente, até entendi investir em estádios, pois os nossos eram tão velhos e acabados que dava para entender que era preciso atualizar isso, pelo menos neste intrigante país do futebol.

Mas as cidades disputaram não só os estádios, mas todas as obras de infraestrutura que vinham com eles. E todo mundo quis. Mas eu não.

Agora, porém, estou surpreso. A turma da direita é contra a Copa. Adora futebol, mas não quer Copa. Hum... antropologicamente interessante. É mais ou menos como se a elite da antiga Roma, que sempre bebeu sangue no Coliseu, não quisesse mais ver os gladiadores se matando, nem os cristãos serem comidos pelos leões. Não mudariam de gosto. Não seriam menos sanguinários, nem menos elite. Só não gostariam do imperador. Em casa, continuariam com seus escravos...

Isso só confirma o caráter político que o esporte sempre teve. Não é uma coisa de 2014. O esporte no Brasil, especialmente o futebol, sempre foi uma manifestação política, de celebração do status quo, da direita. Agora, porém, que a esquerda pegou para si essa "ferramenta de dominação", resistir e criticar virou coisa da direita. A direita virou esquerda.

Eu, que era contra, porém, agora sou pragmático. O investimento nos estádios foi realizado: recursos do BNDES foram emprestados para governos locais e times de futebol, e serão pagos. Boa parte da infraestrutura foi construída com recursos do governo federal, e ficará para o futuro. Não é a melhor forma de planejar infraestrutura, mas já foi feito, e com o apoio geral. A economia será movimentada, gerando milhares de empregos, e parte ou todo esse investimento será recuperado.

Poderia ser melhor? Sim. Para começar, poderia não ter sido decidido fazer a Copa aqui. Mas foi. Então, as obras poderiam ter sido realizadas com eficiência e pontualidade. Não foram, mas boa parte vai estar aí. Não há nada a fazer sobre isso.

Mas pode ser melhor, ainda? Pode! Podemos fazer um bela Copa, faturar ao máximo sobre o investimento que foi feito, ajudar a amenizar os problemas que não foram solucionados, deixar a melhor impressão possível nos turistas e torcedores, enfim, agir juntos, como patriotas.

Patriotismo não é ser contra a Copa. Não agora que a decisão e o investimento foram feitos. Patriotismo não é torcer pela seleção brasileira. Nunca foi. Patriotismo é entender as dificuldades de seu país, saber que você é parte delas, perceber as vantagens de seu país, saber que você é parte delas, e ajudar o País a se sair bem. Não importa se você vota na Dilma, no Aécio ou no Eduardo. A Copa não é do PT. A Copa é do Brasil.    

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Há 12 anos, a inflação era o dobro, e o desemprego era quatro vezes maior


Para quem acha que o Brasil só está piorando, melhor tomar um remedinho para memória...
2002 era ano eleitoral, a inflação terminou o ano em 12% e o desemprego variava entre 18 e 20%.
2014, também ano eleitoral, a inflação está perto de 6% e o desemprego em 5%

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ano de eleição, o papo deve ser outro


menos reivindicações e críticas,
mais discussão de propostas e soluções,
menos ataques generalizados,
mais esforço para identificar quem merece nossa confiança,
menos manifestações e quebra-quebras,
mais campanhas por aquilo que queremos e por quem nos representa,
menos sentimento de vítima da política,
mais corresponsabilidade pela política,
menos achar que a política é uma porcaria,
mais participar da política e torná-la melhor.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A crescente polarização da sociedade brasileira

Defendo muitos resultados do governo do PT nas áreas econômica e social (não se limitando ao bolsa família) e até, em certa medida, meio ambiente. Mas critico a dinâmica de alianças políticas, a forma de construir a coalizão, a aproximação com os ruralistas, a atitude negativa em relação às questões indígenas e das populações tradicionais, e a parada na criação de unidades de conservação no governo Dilma. Para mim, o desequilíbrio reflete uma escalada de conflitos de visões, que atinge de forma perigosa a credibilidade da imprensa e da Justiça. Reflete também a falência da oposição, que não conseguindo emplacar um discurso de ética, de eficiência ou de caminho político, se encolhe, deixando à mídia e às redes sociais um papel que deveria ser seu. Quando o PT era oposição, a ética viva. Com o governo, o pragmatismo impera.    

terça-feira, 4 de março de 2014

A legitimização do ódio social da classe média

A jornalista Raquel Sherazade ficou conhecida por seus comentários raivosos no SBT, que justificavam justiceiros que espancaram, torturaram, despiram e amarram a um poste um adolescente infrator e tratavam com brandura o cantor Justin Bieber. Foi muito criticada pela esquerda ao dizer que a ação dos justiceiros era justificada pela incompetência do Estado. Agora, a liberal Eliane Brum escreveu um belo artigo descrevendo os vários casos de violência gratuita, a partir do episódio do homem esquizofrênico que empurrou uma mulher dentro dos trilhos do metrô. Ligou os vários casos e construiu um argumento de que a raiva que esses casos expressam tem a ver com a situação do país, com a falta de resposta do governo, com as reivindicações não atendidas nas manifestações de junho de 2013. Para mim, um argumento que pode se aproximar, na função (mesmo que não tenha sido a intenção), ao de Sherazade. 

Ora, a revolta da classe média e seus atos gratuitos não pode ser justificada pela ação ou inação do governo. Temos 500 anos de história. Índios massacrados. Negros escravizados. Milhões de favelados. Se a injustiça e a falta de ação do estado são justificativa para ações de ódio, então cuidado com o ódio de índios, negros e pobres. Este ódio ainda não começou a se expressar. 

Imagine você, seu classe média, classe média alta, se o pobre que está no ponto lotado olha para o seu carro e realiza que você é a causa de ele ser pobre, uma situação que ele não causou. Sim, você, eu, os privilegiados que sempre se beneficiaram da distribuição desigual, cujos pais compactuaram com o golpe militar de 1964. Imagine se em vez de ônibus, carros de luxo passassem a ser o alvo. Imagine se as escolas e hospitais particulares passassem a ser atacados para mostrar que à elite e à classe média que seus filhos não podem começar a vida com vantagem sobre outras crianças que merecem tanto ou mais que eles.    

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PIBinho ou PIBão?

Quem ouve ou lê os noticiários fica com a impressão de que os outros países estão crescendo muito mais que o Brasil. Será fato? Temos um PIBinho? Aproveitamos menos a onda de crescimento mundial que os outros países? 

Veja neste gráfico, com dados do Banco Mundial, uma comparação do PIB do Brasil com outros países emergentes no mundo e alguns já considerados desenvolvidos (África do Sul, Chile, México, Índia, Rússia e Espanha):

PIB 2004-2012 de Brasil e países selecionados (clique para aumentar)
Em 2004, o PIB do Brasil era um pouco menor que o do México e da Índia, e um pouco maior que o da Rússia. O PIB da Espanha era bem mais alto. O PIB do Brasil já era gigante perto dos PIBs da África do Sul e do Chile.

Mas o que aconteceu desde então? O PIB do Brasil quadruplicou. A Espanha estagnou, e de um PIB que era quase o dobro do brasileiro, no final de 2012 tinha um PIB que era a metade do PIB do Brasil. A Rússia parecia boa competição até 2008, ano da grande crise financeira internacional, que derrubou seu PIB, que passou a crescer no mesmo ritmo do Brasil, sendo 80% deste. O México quase não cresceu, ficando com um PIB cerca de 40% do PIB do Brasil. A Índia, que tinha um PIB semelhante ao do Brasil, no final de 2012 era 80% do PIB brasileiro.

Chile teve um bom crescimento relativo, mas a diferença de tamanho das economias brasileira e chilena torna a comparação difícil. A África do Sul, um pouco maior, duplicou sua economia, mas não chegou a quadruplicar, como o Brasil.

Repare também o tombo dos outros países em 2008, em que o Brasil foi pouco afetado, e que em 2012, quando o PIB do Brasil sofreu um baque, os demais países (exceto a Índia) também sofreram.

Vê-se que o Brasil não foi mal como alardeia a mídia e a oposição, e reclamam alguns empresários. E em 2013 não foi diferente. O IBGE divulgou uma análise em que compara o Brasil com 13 economias que já divulgaram seus PIBs de 2013. Veja como se compara o crescimento do Brasil no ano passado:

PIB 2013: Brasil x países selecionados (clique para aumentar)

Vê-se que, entre essas economias, o Brasil teve o terceiro melhor crescimento, somente atrás da China e da Coreia do Sul. Abaixo da média mundial já que a China distorce a média, mas certamente bem acima da média sem a China. 

Então: PIBinho ou PIBão? Para mim, parece um PIBão. 

E não é somente um PIBão: é um PIBão com diminuição da miséria. Estudo do IPEA mostra que em 2011 o BRasil alcançou a menor desigualdade já medida. Segundo matéria do Jornal Valor Econômico, com base no estudo do IPEA, os salários dos 10% mais pobres do Brasil cresceu mais de 91% entre 2001 e 2011, enquanto os 10% mais ricos cresceram só 16,6%. 

É isso que explica o ódio da classe média e da elite pelo PT: egoísmo. Egoísmo, pois a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o rendimento dos mais ricos. 

É um revolução pacífica, que não precisou mandar a elite para o paredão ou para Miami, nem precisou suprimir a democracia. Mas, mesmo assim, a elite se ressente do avanço dos mais pobres e do seu pouco avanço, insuflada por publicações como a Veja e pelos noticiários como o Jornal da Globo na TV, ou o canal GloboNews, que insistem em pintar o país muito pior do que ele está. 

Eu também estou chateado, pois minha renda não aumentou 91% no período. Mas seria muito egoísmo achar que o que o que está sendo feito pelos mais pobres está errado. E seria burrice achar que está errado e ainda reclamar do aumento da criminalidade, como muita gente faz. 

Temos que valorizar o que já alcançamos. É muito significativo! Talvez dê para fazer mais, ou fazer diferente (como nós ambientalistas defendemos), mas é preciso reconhecer o sucesso do Brasil e não embarcar na campanha de auto-difamação promovida por uma boa parte mentirosa de nossa imprensa. É só ver os dados acima e pensar um pouco por conta própria. 

Viva o Brasil!  

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rolezinhos: Shopping não é ambiente para famílias. Nunca foi.

Coxinhas, elites, pessoas conservadoras condenam o rolezinho. Esquerdistas, contestadores, intelectuais quase de esquerda os defendem. É o morro vindo ocupar os espaços que sempre foram da elite e da classe média. Espaços que foram construídos com base no desejo da classe média e das elites de se separar do morro. Por causa desse desejo, os comércios de rua perderam seu charme. Mas agora isso terminou.

A questão, porém, não é se os shoppings deveriam ou não ser invadidos ou ocupados pela turminha dos manos e das minas, ou se poderão ou não deixar de ser ambientes para a família classe média.

A questão não é se os manos podem fazer mal aos shoppings: é se os shoppings podem fazer mal aos manos. 


Uma reportagem no G1 (os rolezinhos nas palavras de quem vai) mostra os perigos que envolvem um rolezinho para os manos e minas: consumo de drogas (eles vão lá para comer fastfood!), endividamento (um jovem gastou R$ 1.000,00 em um par de tênis que comprou à prestação), entre outros.

Eu mesmo nunca achei shopping um bom ambiente para famílias. Primeiro, porque atiçam o consumismo. Segundo, porque lá não se vê o céu e se passa tempo demais sem ver o céu. Terceiro, porque lá tudo (incluindo os frequentadores) finge ser o que não é. Quarto, porque são um perigo para o bolso. Tudo isso faz mal às famílias. Por isso, não gosto muito de levar minha família lá. 

E olha que dizem que o shopping é a praia do brasiliense! (e eu vivo em Brasília). Mas é tudo exagero: aqui, a praia também inclui os parques, o lago, as calçadas arborizadas do Plano Piloto, os eventos ao ar livre, o Centro Cultural Banco do Brasil e as cachoeiras das vizinhanças próximas ou um pouco mais distantes. Esses ambientes, sim, são para famílias e também seriam sem risco para os manos e minas.

Shopping, não. Vá com cuidado. Podem fazer mal para a sua cabeça e para o seu bolso.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rolezinhos!

O mais difícil de entender no rolezinho? Essa turma toda se juntar querendo ir num shopping! Num shopping!

O paradoxo? Quem é de esquerda defende o direito da galera de ir ao shopping e de ser consumista, e quem é de direita os condena.

Vão dizer que estou simplificando. Desculpe, estou mesmo, para mostrar o absurdo da situação gerada por falta de opções de lazer nas cidades brasileiras.

Nas palavras dos jovens que participam dos rolezinhos, faltam opções de lazer.

A solução? Criar e implementar parques e outras áreas verdes de qualidade, para que os rolezinhos sejam junto à natureza e não junto aos templos do consumo e do capitalismo. Criar e implementar centros de cultura e esportes.

País rico é país sem miséria cultural.